Uma discussão sobre o mapa das Cortes

0 Criado por admin  |   Dicas,História  |   24 de August de 2015  |     542

O mapa das cortes de 1749 foi utilizado como o principal argumento científico de Alexandre de Gusmão para a elaboração do conhecido Tratado de Madri de 1750, que ampliou os domínios portugueses na América e deixou a colônia com um tamanho e forma semelhante ao do Brasil contemporâneo. Esse tratado garantia a posse da terra à coroa que de fato tivesse ocupado o território. E com efeito os colonos portugueses haviam desbravado a zona central da América em busca de minérios e escravos indígenas durante o período no qual as fronteiras estavam nublados pela União Ibérica (1580-1640). Mas só esse argumento não conseguiria convencer os espanhóis a entregar as ricas zonas mineradoras de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais aos portugueses.

mapa

Além de recorrerer ao Papa, que reconheceu aos portugueses um bispado e duas prelazias nas zonas que segundo Tordesilhas pertenciam à Espanha, a coroa portuguesa utilizou a cartografia como um argumento de autoridade na elaboração do Tratado de Madri. Assim, o mapa das Cortes fora elaborado por uma missão científica a mandada por Portugal que tinha uma finalidade política clara, elaborar um mapa que atribuísse a maior quantidade de territórios possíveis para esse reino.

Ao olharmos o mapa e compararmos ao do Brasil contemporâneo notamos prontamente as distorções. Todo o território da colônia portuguesa (em amarelo) fora deslocado para a direita, para não “assustar” os espanhóis quanto aos trechos que cederiam aos portugueses, a Amazônia foi encolhida e a atual região centro-oeste deslocada de modo proposital. De fato os espanhóis trocaram gato por lebre no Tratado de Madri, mas não tardaram a notar as discrepâncias entre o mapa e a realidade. Em um curto prazo os espanhóis anularam a validez do Tratado de Madri, mas isso não duraria, a ocupação portuguesa já estava feita, os próximos tratados somente confirmariam esse duro golpe no império espanhol.

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