Passado Fluido

0 Criado por admin  |   Dicas,História  |   20 de May de 2015  |     374

Engana-se aquele que pensa na História como uma grande coleção de fatos expostos nas vitrines da civilização ocidental. A disciplina sempre tem algo a nos revelar e surpreender, uma nova descoberta, uma nova leitura, algo que se revela completamente o oposto do que antes acreditávamos, ou coisas que nem sequer imaginávamos a existência e que impactam nosso cotidiano. Nesse sentido, o cotidiano é materializado por camadas de história, sedimentos em contínuo processo de ressignificação, marcado por abandonos, retomadas e esquecimentos.

Os bandeirantes falavam tupi, andavam descalços e usavam arco e flecha em sua maioria. As capitanias hereditárias não tinham a configuração passada nos livros e por isso, a cidade de São Paulo foi construída no território da Capitania de Santo Amaro e não de São Vicente como se pensava. Talvez o primeiro visitante português na América não tenha sido Cabral, mas um desconhecido Duarte Pereira Pacheco em 1498. O feudalismo como conhecemos talvez nunca tenha existido. Já a mítica e distante cidade de Tróia fora encontrada pelos arqueólogos. Em 200 a.C. Erastóstenes acreditava que a Terra era redonda e já havia calculado a medida de sua circunferência.

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Em 200 a.C. Erastóstenes acreditava que a Terra era redonda e já havia calculado a medida de sua circunferência. E você aí apanhando de Bhaskara.

Fatos não são dados naturais, são construções. Os historiadores e arqueólogos recorrem às pessoas, livros, papiros, inscrições, vasos, quadros, monumentos, ruínas, ossos, lascas de pedra, grãos de pólen, infinitos vestígios da atividade humana como aberturas para esse tempo perdido. O passado torna-se então uma narrativa montada com o viés, a subjetividade, de quem o vê e o descreve. Impedido de ser capturado em sua essência, pois tal como o presente, é impossível de ser percebido em sua totalidade.

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