Brasil: uma democracia racial?

0 Criado por admin  |   Dicas,História  |   18 de September de 2015  |     485

O escravismo moderno deixou marcas vivas na sociedade brasileira contemporânea. Instituição violenta baseada na exploração do trabalho de seres humanos desenraizados de suas sociedades originais e transplantados no Novo Mundo, o escravismo tratou negros e índios como “peças”, objetos de uso, as “mãos e os pés” de seus senhores. Presentes nas grandes lavouras, no interior das casas como amas-de-leite e mucamas, nas cidades como escravos de ganho, carpinteiros, pedreiros, barbeiros, calafates e artesãos, os escravos eram fontes de riqueza e prosperidade para os dependentes homens livres.

Homens livres que fugiam a tudo que lembrasse a esfera da escravidão, como por exemplo os ofícios manuais e trabalhos na lavoura. Dos quase quatro séculos dessa exploração escravista que terminou juridicamente em 1888, sobram diversos resquícios em nossa sociedade. A cultural dos cativos nos trouxe as religiões afro-brasileiras, nossa culinária e a etnicidade mestiça. Contudo, a escravidão nos trouxe outras heranças como o preconceito e a discriminação étnica, a desigualdade social histórica, a desvalorização das profissões ligadas ao trabalho mecânico e uma estrutura paternalista e patriarcal da sociedade e da família.

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Vamos à exemplos concretos. A extrema pobreza no Brasil em 2009 é composta 74% por pessoas negras, pardas e indígenas com maioria de mulheres nesse grupo. O uso de elevadores de serviço para empregados e a própria arquitetura dos apartamentos e casas com áreas de serviço e “quartos e banheiros de empregada” são expressões concretas na diferenciação de espaços e na segregação dos indivíduos. Segregação que tem sua origem nas áreas das casas grandes onde ficavam os escravos domésticos.

É um apartheid do “homem cordial” que mistura etnia e renda. Tornando-se visível e explícito na composição étnica dos moradores de cada bairro, no público que frequenta as escolas, universidades e hospitais particulares e públicos, na etnia dos personagens presentes em filmes e na TV.

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